A Viagem inaugural da Tracer 700

Este foi o primeiro passeio com a Tracer 700, desta vez na companhia da Sara e de muitos e bons amigos. Fomos à Penha de Guimarães e terminamos o dia a beber chá. O Andor Bioleta estava presente e tem a sua versão deste dia em https://tinyurl.com/y6ehz7qw. O Cubo Redondo também fez justiça ao lado másculo de todos nós em https://tinyurl.com/yyt9yyey.

No meu tempo

No meu tempo

No meu tempo é que era bom! 

No meu tempo três quartos das pessoas eram analfabetas. Significa isso que não sabiam ler ou escrever. Muitas nem sabiam sequer assinar o próprio nome, sendo norma a utilização da impressão digital como meio de garantia da identidade. A impressão digital, um borrão sujo de linhas concêntricas, era o símbolo analógico da despersonalização de todos os que não dominavam a escrita do próprio nome, como se em nada pudessem deixar a marca do seu ser, mas somente um registo prensado do seu envelope corporal. Os mais novos desse tempo podiam ir à escola até à quarta classe. A quarta classe era o limiar máximo da preparação para a vida. Não havia utilidade para mais saber. Aos 10 anos renasciam como adultos de estatura mais modesta, inaugurando a sua vida laboral na agricultura, nas vinhas, no pastoreio, nas salinas, na seca do peixe, na pesca em alto mar. Por vezes, mas nem sempre, trabalhavam lado a lado com seus pais. Muitas meninas foram cedo “servir” para casas de gente abastada onde não eram apenas forçadas ao trabalho na idade das brincadeiras, como também a outras e mais graves abjeções.

No meu tempo as mulheres nasciam para ser fadas do lar, subordinadas à autoridade dos seus maridos, como se de bens ou animais se tratassem. Mantiveram-se na inferioridade por largas décadas, totalmente arredadas do trabalho pago até à década de 70. A emancipação das mulheres ainda hoje tarda em consumar-se, tão perenes são os efeitos de tanto tempo de subordinação. Os desmanchos clandestinos que mataram tantas mulheres eram o recurso habitual de uma imensa classe social que não podia receber mais filhos. Em cada cidade, vila ou aldeia havia sempre quem revogasse o direito à existência de novas bocas para alimentar. No meu tempo as mulheres não votavam, não podiam ser juízas, diplomatas, militares ou polícias. Não podiam trabalhar no comércio, sair do pais, tomar contracetivos ou abrir uma conta bancária sem autorização do marido. As que não tivessem ainda sido abençoadas pela conjugalidade encontravam-se confinadas à autoridade parental muito para além da sua maioridade.

No meu tempo as crianças morriam crianças. Em cada mil nascidas, não vingavam no primeiro ano de vida cerca de oitenta. Era habitual que as mães se lamentassem da perda de um, dois ou mais filhos na sua primeira infância. A sobrevivência ao frio, à desnutrição ou às doenças curáveis – mas cuja cura só havia na capital – nem sempre era uma sobrevivência possível. O número de médicos e enfermeiros por habitantes era o menor de uma Europa que já limpara os escombros de duas guerras mundiais. Não havia recursos materiais para curar, tratar ou salvar de uma morte prematura. A nossa alegada neutralidade, que camuflava alianças com outras ditaduras, determinou um duradouro embargo de produtos e bens que poderiam ter salvado milhares de vidas.

No meu tempo um só homem mandava em tudo. Muitos homens eram fiéis duplicados desse tirano, instrumentos fundamentais das narrativas de poder, ainda que do poder estivessem completamente arredados. De modo a preservar o seu domínio déspota, o pai de todos os portugueses desenrolava tentáculos em toda a parte, arregimentando homens numa causa que não era a deles. No meu tempo, cada operário remediado era um delator, cada polícia um repressor. A bastonada era habitual, era certo o rapto para parte incerta, a matança noturna garantia a definitiva arrumação das desconformidades. A palavra era cerceada de azul e as conversas na via pública apressadamente desmobilizadas. Do Aljube ao Tarrafal extinguiram-se inúmeras centelhas da liberdade.

No meu tempo meia dúzia de famílias franqueavam todas as portas, açambarcavam os meios de todos e as liberdades de nenhuns. Dessas famílias, certos apelidos ainda hoje se movimentam nos corredores da elite social, incólumes à transposição do tempo em que pontificaram, perpetuados nas esferas do controlo de tudo. Alguns vão caindo e mais deverão cair. No meu tempo, a religião servia-se a si mesma e ao Estado. Em cada paróquia um abade do regime, em cada diocese um delegado do poder terreno. A narrativa da igreja afinava com ardil os comportamentos e tornava dóceis os pensamentos de uma população pouco instruída e nada crítica das coações do quotidiano. Tão pouco instruídas eram, que olharam diretamente para o sol na busca do divino, para lá só encontrarem a ilusão dançante de uma divindade. 

No meu tempo o meu país era o único no mundo cujo Estado emitia licenças para uso de isqueiro. A Coca-Cola era proibida. Apesar de inicialmente se estranhar, a perversa bebida entranhava-se no submundo em que todas as coisas pecaminosas eram mercanciadas à margem da lei. Pecaminoso também era o uso do fato de banho, regulamentado de modo a observar a moralidade e bons costumes, que ingleses e alemães quase desnudados devassariam completamente, quando na década de 60 invadiram – em paz, mas com estrondo – as nossas praias.

No meu tempo mandavam-se rapazes com armas para África porque havia lá terroristas. Era para calar os insurgentes que clamavam por liberdade nas suas próprias terras. Ainda que nunca a tivessem conhecido, porque lhes fora sonegada centenas de anos antes, a liberdade era mais cara a esses nativos do que aos seus colonizadores. Dos rapazes que para lá foram de armas em riste, quase nove mil nunca regressariam e outros cem mil foram feridos ou ficaram incapacitados para sempre.

Este tempo de que falo nunca foi o meu tempo mas é “o meu tempo” de muitos outros que desse tempo sentem falta. Esse “meu tempo” é o tempo para onde querem regressar porque se encontram impotentes para lidar com os acasos dos dias que correm. É compreensível que se confortem na memória do tempo deles. Têm a pouca instrução que lhes foi permitida, pelo que perante tudo se confundem. Naquele tempo tudo seria certamente mais fácil, porventura porque a ninguém cabia questionar, somente responder. A ninguém era dada a palavra, somente a frase feita. A ninguém cabia decidir, apenas cumprir. Há um vasto exército de cumpridores a renascer no nosso tempo, ansiosos por abrilhantar as botas cardadas do outro tempo. Naquele que foi realmente o meu tempo, deu-se uma libertação de trevas que ainda hoje nos fazem sombra. Deu-se a mitigação do dano de décadas de servidão e clausura do mundo. Deu-se o acolhimento tardio dos direitos humanos como referencial da modernidade. 

Naquele tempo tudo era escuro e de uma fagulha ancestral despontou luz. A faísca que nos impeliu para além da linha de água, para o cimo das copas das árvores, para o caminho percorrido na vertical e para o exterior das grutas que nos abrigavam de predadores. Uma chama que se mantém viva, acesa no ímpeto de homens e mulheres que jamais a deixarão definhar. De cidadãos que não se deixam iludir por discursos inflamados que em nada devem ao populismo mas que em tudo ampliam a sua dívida para com a verdade. Cidadãos que persistem, neste tempo e nos tempos que hão-de vir, contra uma corja de lunáticos a quem o tempo de hoje não serve, a quem a liberdade jamais será outra coisa que não um obstáculo à reconquista de um tempo que não pode voltar a ter tempo nunca mais. 

Passeando com Sara: test-ride à amizade

O passeio retratado neste vídeo começa com a confissão à Sara de que comprei uma nova buzina para a CB500X, a Denali Soundbomb Mini. Julgo que não há melhor forma de dizer à esposa que se comprou um novo acessório do que utilizá-lo inadvertidamente, como que não fazendo caso. Se ela não reparar, ótimo. Se perceber que gastámos mais uns euros numa trivialidade desnecessária, nessa altura o mal já está feito.

Aproveito para vos dar a minha perceção desta buzina que apliquei para substituir a original da Honda, nas sábias palavras da Sara, uma “buzininha de caca”. O seu volume em decibéis é publicitado como sendo muito superior. Não me parece que o seja, mas não deixa de ser uma buzina muito mais audível porque o som emitido é mais grave, mais impositivo. Parece que provém de um carro, pelo que talvez por isso cative a atenção alheia de forma mais competente. Aumenta a segurança, sem dúvida. Recomendo vivamente a troca, tanto assim é que vou trocar a da Tracer também.

Sucede-se o encontro com o Cubo Redondo, o Andor Bioleta e respetivas esposas. Depois de um breve café para consumar o acordar matinal, o trajeto que se segue é interessante e diversificado: dos arredores de Esposende dirigimo-nos a Vila Verde, seguida de Braga e Caldas das Taipas, onde fomos dar um abraço e outros mimos ao nosso querido Muarcos. Segue-se uma rápida passagem por Fafe onde fomos intercetados por uma intrusiva Tracer 900 GT e, por fim, atravessamos a Barragem de Guilhofrei em Vieira do Minho. Foi aqui, nas margens da albufeira do Ermal, que fizemos um descomplexado piquenique ao som de reggaeton proveniente de um carro ali estacionado. Dali partiríamos para o resto do passeio, agora de regresso a casa.

A segunda parte do passeio será também publicada brevemente em vídeo. Alerta spoiler: tem troca de esposas.

Review Yamaha Tracer 700 (2020)

Não será novidade para os mais atentos ao canal (creio que serão três pessoas e um gato) que troquei a Honda CB500X de 2018 por uma Yamaha Tracer 700 de 2020. As razões da troca são de fácil resumo: a CB não tem pulmões para um trajeto mais longo em autoestrada, o que embora não fosse uma necessidade absoluta, nem tão pouco o tipo de viagens que optasse fazer (a Sara e eu preferimos trajetos mais curvilíneos), a verdade é que a qualquer altura pode ser necessário enveredar por uma via mais rápida e direta para chegar a casa.

A CB500X pode rodar em autoestrada? Pode. Fá-lo com significativo esforço? Faz. E quando se pretende fugir à noite, ao frio ou mesmo à chuva, um tipo não pode ter manias de que só nas curvas é que se disfrutam os prazeres das duas rodas. Certo é que não é prazenteiro percorrer dezenas ou centenas de quilómetros a 120 km/h numa moto rodeada de carros e camiões que circulam a igual ou (muita) mais velocidade. Quando se impõe fugir desses ambientes mal frequentados, há que poder invocar os deuses da velocidade sem que o motor que nos impulsiona para a frente grite por clemência. Estamos de acordo em relação a isto.

Feitos 1000 km na nova moto e a competente revisão pós-rodagem, chega a altura de discorrer um pouco acerca das minhas perceções desta Tracer. Naturalmente que não baseio esta análise em sólidos conhecimentos técnicos de motos – os quais claramente não possuo – mas sim na experiência subjetiva da sua utilização e na comparação com as motos que tive anteriormente, em particular a CB500X.

Começo pela única razão da troca: a desenvoltura em estradas rápidas. Dificilmente será surpreendente que a Tracer 700, com o seu motor de 75cv, ofereça maiores possibilidades de desempenho em autoestrada do que a mais modesta CB500X. As diferenças são evidentes quer no modo como desenvolve após uma redução de caixa, quer mesmo num rodar de punho em 6.ª que sirva para retirar-nos de um troço de estrada mais povoado. Portanto, no que respeita ao comportamento em autoestrada, é a aposta ganha que já se esperava.

De resto, os comportamentos de resposta motriz aos inputs do punho direito são sempre bastante imediatos. Embora não lhe reconheça a genica indomada que em tempos tive na FZ6n, a Tracer 700 responde bastante eficazmente às necessidades momentâneas de velocidade, ainda que tais progressões nunca sejam sentidas de forma repentina. Há ali mais suavidade do que numa lingerie de veludo acariciada pela brisa de primavera no estendal de uma casa de alterne (segundo ouvi dizer).

Então e o conforto? – pergunta uma voz no meu cérebro que presumo ser de um putativo leitor deste post e que pode não ser uma pessoa real, daquelas com corpo e vontades. É uma ótima pergunta, cérebro: a Tracer 700 é razoavelmente confortável. Só razoavelmente? – indaga o cérebro em tom alarmado. Sim, só razoavelmente, pois o banco (na sua versão normal) é firme – como os assentos de moto devem ser – e embora o desconforto apareça mais tarde do que na CB500X (ganhei uns 30% de tempo de viagem sem dor perineal), o certo é que ele aparece. E como em qualquer mota que não seja especificamente pensada para viagens longas, o melhor é descansar o rabo a cada duas horas sob pena de contrair uma hemorroida daquelas que parece que a qualquer momento vão desatar a falar connosco.

Outro aspeto que interfere gravosamente no conforto é a bolha. Não gosto de dizer bolha, é palavra que me aflige, faz-me lembrar coisas que rebentam em pus, mas adiante. O para-brisas, conforme se dizia depois do 25 de abril – quando os carros passaram a ser acessíveis à classe média. Ora, o para-brisas da Tracer 700 é irrisório, não faz rigorosamente nada, nem sequer na sua posição mais elevada. E o que mais me baralha naquela inenarrável bolha é que comete a proeza de canalizar todo o ar ambiente de forma pressurizada na direção específica do meu pescoço, o que deixa a minha maçã-de-adão razoavelmente incomodada. O que vale é que não sou de mariquices, pelo que me parece evidente que quem procura andar na estrada sem apanhar umas aragens mais vale que vá de carro. A voz de um homem quer-se rouca ou, como tem sido o meu caso nos últimos dias, completamente afónica.

Em todo o caso – e não é de somenos importância – a habitual passageira de passeios (que por agora vocês os três e o gato conhecem como “Sara”), tem referido sentir-se muito mais confortável na parte posterior do assento. Estamos a tratar bem o rabo da Sara e todos sabemos o quanto um glúteo bem tratado faz as delícias da pequenada.

No que concerne ao desempenho geral da moto na estrada, só me ocorrem ganhos. A travagem é firme, o corpo da moto sente-se coeso, as curvas são negociadas com maior inclinação e velocidade, sem prejuízo da confiança. Este comportamento proporciona menos preocupações e mais diversão ao uso de uma viatura que não deverá servir somente para nos levar daqui para ali, mas que nos providencie algum contentamento nessa mesma transposição de um local para o outro.

Já tive a oportunidade de testar a iluminação à noite, podendo dizer-vos de forma completamente convicta de que nunca (repito, nunca), jamais, em tempo algum tive uma mota que oferecesse tão boa iluminação da estrada. Da estrada, entenda-se, à minha frente como também para os lados – estrada e bermas. É completamente surreal o grau de luminosidade que aquelas duas bolas frontais (pois) conseguem projetar num tão amplo diâmetro. Tenho dúvidas sobre se me fará falta instalar-lhe luzes auxiliares, embora seja verdade que, para mim, a principal função destas não é ver bem – é ser bem visto.

Durante a fase de rodagem os consumos médios mantiveram-se nos 5 litros. A expectativa que tenho é de que após a primeira revisão, já realizada, estes consumos venham a reduzir-se até certo ponto, sendo evidente que é uma moto bastante mais bebedora de fluidos combustíveis do que a CB500X. E segundo parece, ficará a anos-luz dos notáveis consumos anunciados para a NC750X, o que é pena, mas que se compreende dada a discrepância de desempenho que ambas as máquinas oferecem. Quando o universo rebentou numa bola de energia e luz ficou determinado pelas leis da física que nenhuma nova energia jamais se criasse. Portanto, é da mais elementar lógica matemática que para andar mais depressa se necessite de mais energia. Há que incinerar mais dinossauros para se chegar mais rapidamente aos sítios. É lidar.

Em suma, julgo que fiz uma boa mudança. Embora a CB500X já oferecesse um mundo de possibilidades, esse mundo parece agora ter razoavelmente ampliadas as suas fronteiras. Se a razão da venda da CB500X tinha subjacente a intenção de comprar a Honda NC750X, a verdade é que essa troca não se concretizou. O apelo da Tracer 700 de 2020 já era forte neste gajo ainda antes de sentar o rabo numa para a experimentar. A dimensão estética desta máquina sempre me foi bastante apelativa, mas lá fui acumulando a convicção de que jamais poderia fazer semelhante troca. A conjugação de situações que resultaram na compra desta Tracer é tão improvável como os alinhamentos de cobiças mútuas no Tinder. Certo é que aconteceu, e volvidos uns míseros mil quilómetros de alegria e muitos pares de calças para lavar, não posso sugerir-vos outra coisa que não seja: logo que possam, experimentem esta máquina. Não a minha, claro. Nesta ninguém toca.

Passeando com Sara: fomos almoçar a Braga

São Salvador da Torre numa manhã de fevereiro. Aprendo que a laranjeira ainda espera dar flor e que as flores serão brancas.
É com esta premissa que se apresenta um vídeo que em menos de dez minutos procura esboçar o significado da vida. Ambicioso? Com certeza que sim. Mas se a vida pode à primeira vista parecer infinitamente complexa, é numa narrativa simples – de um evento também simples – que se argumenta um mini-conto pejado de referências escatológicas e de renascimento.
O passeio consiste numa ida a Braga para almoçar. A essência do motovlog é aqui exemplarmente demonstrada: se há assuntos de que os motovlogs são prenhes é de saídas para almoçar ou para tomar um copo ou um café com amigos. Coisas simples, pequenas e triviais felicidades. Mas com que quase toda a gente se identifica e que alguns de nós tentamos tornar menos mundanas através de exercícios narrativos como este vídeo.
Alternamos entre dois mundos, o rural das estradas municipais riscando oceanos verdes, e o da cidade buliçosa de alcatrões dourados por um sol ainda longe do seu apogeu translativo. Pelo meio, algumas peripécias rodoviárias, daquelas que os motociclistas captam mais atentamente que os demais, até pela perceção que têm da iminência da sua própria finitude enquanto usuários da estrada. A velha num trator que se precipita perpendicularmente ao tráfego; o tipo que não tem tomates para consumar a transgressão de um semáforo vermelho; o stalker que se aproxima demais da nossa roda traseira numa ponte de paralelo.
Segue-se o frango assado do Tourigalo. Estava bem passado.
Regressa-se a casa com uma paragem em Barcelos, onde um dedo médio em riste exibe os danos do constante dedilhar da embraiagem com uma luva de qualidade barata. É o afirmar simbólico do desgaste gradual do corpo. É o uso que lhe damos que nos fina. Que nos rompe. Há por isso que estimar o corpo, coser os buracos e fazer um grande pirete à morte.
Antes de ir para casa, esticam-se as pernas junto à igreja da paróquia cujo edifício secular é fronteiro com uma casa de familiares de outrora. E se esta casa exibe uma decrepitude negligente, aquando da sua fundação fora parte de um mosteiro cuja imponência se deteriorou no tempo.
Terminamos à porta da casa, a nossa, em cujos cantos respiramos uma quase sempre bucólica e tranquila atmosfera. Assino neste preciso momento a minha certidão de óbito com uma referência muito indireta à “Origem do Mundo”, de Courbet, embora a partir da sua perspetiva traseira, o que decerto me trará nódoas negras logo que a Sara ponha os olhos neste vídeo. Espero que não o veja.

Passeando com Sara: Norte ou Sul?

Este passeio sem destino pré-estabelecido levou-nos a evitar multidões em Ponte de Lima, almoçar cachorros-quentes em Ponte da Barca, tomar café em Braga e comprar uma palette de Frize Limão no Mini Preço de Esposende. Pelo meio, muito comentário jocoso, bastante snowflaking na estrada e, para não destoar dos outros passeios com a Sara, muitas queixas de dor no “trazeire”. A ver, pois então.

Cenas Vol. 25: Eu?!

Neste vídeo de cenas aleatórias dou especial relevo à interação com cidadãos séniores que conduzem viaturas. Embora não considere estes espécimes em particular como especialmente perigosos para a segurança rodoviária, a verdade é que a sua lentidão, falta de reflexos e de acuidade visual são coisas que aborrecem bastante. A juntar a estes predicados, ainda há o síndrome do condutor de longa data, aquele que “já tem carta há quase 50 anos”, e que por isso não tem dúvidas e raramente se engana a respeito do Código da Estrada.

Humildade

O meu último vídeo serve para partilhar convosco, minhas queridas leguminosas, as agruras da fama. Ser uma celebridade do YouTube tem consequências que podem ser muito prejudiciais para quem não estiver apto a lidar com a exposição mediática. Uma dessas consequências é o constante assédio por parte dos fãs, em especial daqueles que cometem a ousadia de nos ligar diretamente. Às vezes pergunto-me para que preciso de assessores, quando na minha infinita bondade dou o meu contacto a certas pessoas. Depois abusam e é o que se vê. Para quem tiver chatices com a fama, este vídeo também ensina a lidar com os admiradores de forma elegante e com classe, embora haja qualidades que não se aprendem. Já vêm do berço.
P.S.: também falo dos próximos vídeos na calha, mas isso é apenas um fait-divers.