Portanto, no essencial, a história é esta: a setenta quilómetros de casa encontro acidentalmente o Muarcos* (ainda não o conhecia pessoalmente, mas identifiquei-o à primeira vista), o Muarcos filma-me nesse preciso momento (e à Sara) também acidentalmente, e por causa desta sequência de improbabilidades eis que descubro que a chave da top-case ia pendurada na respetiva fechadura (o que em si mesmo não é um acontecimento assim tão improvável, na medida em que tal acontece com alguma frequência). E sim, a Sara calça o 43 e tem por hábito dormir de pé.
*visitem e subscrevam o canal do Muarcos, vão ver que sobram razões para o fazer.
Nesta nova compilação de cenas aleatórias dedico-me ao estudo aprofundado da composição minerológica dos penedos com quem partilho a estrada. Desde o pedregulho com olhos até ao tijolo-burro provido de meio cérebro asino, a riqueza e diversidade das espécies deslumbram qualquer estudioso destas mutações darwinianas. Claro que não faltam os calhaus com telemóveis, esses expoentes máximos da cadeia alimentar urbana, cuja espécie prolifera exponencialmente graças à inoperância dos polí… *cof cof* predadores. Todavia, a verdadeira revolução científica no canal do Mig surge a abrir o vídeo, na estreia da Sara como filmadora, conferindo assim todo um refrescante (e por vezes irritante) ponto de vista aos vídeos do canal.
Apesar de gostar bastante do suporte de telemóvel em forma de “garra” com que me tenho desenrascado nos últimos tempos – que nunca me deixou ficar mal, não obstante ser baratinho -, sempre senti bastante insegurança ao olhar para baixo de modo a consultar direções de GPS no telemóvel, desviando os olhos da estrada, mesmo que por breves instantes. Por este motivo, decidi comprar uma barra de GPS para colocar o suporte de telemóvel num ponto mais central do campo de visão. Já que estava lançado nas compras de acessórios, escolhi também um novo suporte de telemóvel, feito integralmente em alumínio e com uma robustez bastante boa. Tudo por menos de 40€. Para quem tiver interesse em saber mais acerca destes acessórios, partilho os respetivos links.
Este vídeo é mais uma compilação de algumas cenas aleatórias captadas em vários locais. Dou especial relevo ao engarrafamento numa rua que parece igual a tantas outras em contextos rurais. Porém, cerca de metade do vídeo é um mini “Passeando com Sara” de uma ida a Barcelos para almoçar. Cenas de grande profundidade cultural, portanto.
Este vídeo de cenas aleatórias tem muito pouco discurso, um pouco ao estilo do mítico Royal Jordanian (sem querer morder-lhe os calcanhares). Conta ainda com a presença do Twentynine Motovlogger, que veio a Viana do Castelo para afinar os preparativos de um passeio e almoço realizados no 1.º de maio e organizados pelo grupo do Facebook MotoridersPT. Infelizmente não o consegui entalar no Zimbório de Santa Luzia, mas oportunidades não faltarão.
Hoje cometi uma infração ao Código da Estrada nas barbas da PSP. Desconheço a sua gravidade, mas suponho que seja razovelmente grave. Não tenho por hábito cometê-las, portanto, que o tenha feito à vista da autoridade tem tanto de improvável como de picaresco. “Vive de acordo com o que defendes”, dir-me-iam. Bem tento. É difícil. Não estou isento de esqueletos no armário, como de resto já várias vezes afirmei. Voltando à transgressão: deveria ter sido multado em conformidade. Logo. Ali mesmo. Ao invés, fui advertido verbalmente, numa atitude pedagógica que compreendo mas que muito me surpreendeu. No lugar daqueles dois agentes, não teria sido compassivo. Não perdoaria. Talvez por isso, agora, a frio, reduza aquele improvável encontro com o braço forte da Lei à decisão de ser ainda mais intransigente com os outros e comigo próprio na defesa do bem agir na estrada. Serviu-me de lição.
O aspeto marcadamente agressivo desta pequena Ninja, inspirado nas colossais H2 e ZX-10R, denuncia o caráter desportivo que se esconde no cerne das suas linhas cortantes. Apesar de rotulada como uma moto para iniciantes, esta entusiasmante bicilíndrica não se inibe de transpor os limites que um cidadão menos informado possa prever ao olhá-la com sobranceria. Porém, não se trata de uma criatura incivilizada, mantendo-se domesticável às mãos de quem inicia um percurso ascendente no motoclismo de estrada.
Não se trata porém de uma pequena moto, apresentando-se como a irmã mais velha da sua congénere de 300 cc, e bem capaz de ombrear no contexto urbano com as propostas mais corpulentas do fabricante nipónico. De resto, as suas especificações permitem intuir uma proposta ambiciosa: motor de 399cc, quadro de treliça tubular de baixo peso e disco frontal de 310mm, são fatores a ter em conta na sua vocação velocista. É também de assinalar o sistema ABS de apoio à travagem, um painel de instrumentos completíssimo com tacómetro analógico, pneus de 110mm à frente e 150 atrás, não esquecendo o depósito, que acomoda 14 litros de combustível sem comprometer uma posição de condução acutilante.
Sendo certo que a Ninja 400 é confiante o bastante para se aventurar em qualquer autódromo, é também verdade que a sua ergonomia cuidada oferece um nível de conforto permissivo a uma utilização diária e de cariz mais utilitário, desde que limitada a uso individual. A entrega de potência que oferece é bastante linear, até ao momento em que se vislumbra o limiar das sete mil rotações. Neste ponto, a Ninja mostra a sua alma aguerrida e dispara rumo a um ponto de fuga que deixa facilmente para trás quaisquer veículos de quatro rodas, que parecem arrastar-se em câmara lenta.
Embora a primeira impressão que provoca possa bem ser desconfiança e estranheza, em especial por parte de um utilizador veterano, a Ninja rapidamente nos ilumina com a sua aura rejuvenescida e vibrante, trazendo-nos à memória tempos de atrevimento e transgressão. A sua vocação desportiva só deixará indiferentes os seres inanimados. No meu caso, inflamou com lascívia certos instintos adormecidos. Numa conjugação equilibrada entre condução relaxada em baixos regimes e curvas negociadas em alta rotação, a pequena Ninja 400 faz-se muito grande na inevitável entropia das estradas da vida.
Neste episódio da série “Passeando com Sara” fizemos este percurso. Pelo caminho, fiz uso da minha liberdade de opinião (a mesma que foi resposta com o 25 de abril e que este coiso pretende reverter) para dizer o que penso dos pedófilos (alguns dos quais são padres) e das religiões no geral.
Apesar de não estar nos nossos horizontes trocarmos de mota tão cedo, não deixei passar a oportunidade de trazer para o canal este tipo de conteúdo. Tendo surgido um evento de testes organizado pelo concessionário oficial da Kawasaki em Viana do Castelo, apressei-me a reservar a minha vaga no teste de duas motos daquela marca. Em resumo, este primeiro vídeo é um pequeno teste à Kawasaki Versys-X 300, modelo que escolhi por ser do mesmo segmento que a minha Honda CB500X, apesar da diferença de cilindradas. Dou as minhas impressões muito subjetivas a respeito da moto, referindo igualmente algumas características, não se dispensando uma pesquisa mais aturada por parte de quem possa estar à procura de algo nesta linha. Segue-se o teste à Ninja 400.
Tendo-me auto-proposto a explicar ao autor deste vídeo porque é que tanto o apreciei (para além do facto de ter feito parte deste 1.º de maio de 2019 em particular, o que redobra o sentimento), aproveito o raciocínio que construí a respeito destes 10 minutos de puro deleite para escrever mais um post. Assim, as razões por que admirei tanto este vídeo, nas palavras em que o expliquei ao Roundcube, foram:
1.ª A premissa que encontrou (o confronto de gangues) para dar um enquadramento à narrativa, tem tanto de imaginativo como de engenhoso. Foi buscar uma representação social (vide o trabalho de Serge Moscovici) historicamente construída (a dos motociclistas enquanto membros de um gangue qualquer) e aplicou-a a um conjunto esparso de filmagens, dando-lhe um sentido que faz sentido à maior parte das pessoas, mas desmontando o potencial dramático daquela premissa nos primeiros momentos do vídeo.
2.ª A narrativa está lá, há efetivamente uma história com princípio, meio e fim, embrulhada num círculo que tão cómodo é para as pessoas – o acordar para o primeiro encontro, percorrer os caminhos até aos encontros subsequentes, conviver um bocadinho, passear mais um bocadinho, despedida, epílogo, regresso a casa. É uma história de um dia resumida em 10 minutos, ficando-se com uma perceção muito clara do que passou. Eu cá prefiro finais mais non-sense, mas compreendo a opção no contexto de um canal do YouTube e de um vídeo que se quer arrumadinho na cabeça de quem o vê.
3.ª É uma evidência que várias personagens são caracterizadas com rigor no decurso do vídeo, mesmo que só com alguns segundos de captação. É evidente também que não se poderia caracterizá-las todas, de tantas que eram, mas chegamos ao final com uma ideia bastante rigorosa de alguns dos intervenientes, pois captou aquilo que realmente são para quem os conhece.
4.ª Já não preciso tecer loas ao modo como o Roundcube filma (discretamente, como quem não quer a coisa), como enquadra os planos de uma forma muito invulgar, como edita os conteúdos (já o elogiei bastas vezes) e como consegue captar o melhor das pessoas sempre com um je ne sais quoi de provocatório e gozão.
Em resumo, para quem se dedica a fazer vídeos para o YouTube, seja de uma perspetiva amadorista ou de uma semi-profissional, não creio que haja muitas fontes de inspiração e aprendizagem como os vídeos do Roundcube.